domingo, 13 de março de 2011

Speed Dating - Versão dele





Leonardo não tinha tempo para nada. Depois de terminar o namoro (pela terceira vez) com a mulher que ele dizia ser o amor de sua vida, ele entrou em uma fase na qual tudo o que importava era o trabalho. Acordava cedo todos os dias e ia dormir com os documentos da empresa. Seus amigos começaram a ficar preocupados. O chamavam para sair constantemente, para seguir em frente. "Afinal", diziam eles, "o único jeito de esquecer uma mulher é com outra".

Cada vez que recebia esses convites, Leonardo nem respondia, só apoiava a cabeça com as mãos e fechava os olhos. Caso insistissem, ele resmungava alguma coisa incompreensível e o assunto acabava.

Ele já tinha ouvido cada absurdo - boates de strip-tease, cruzeiros, viagens de carro pelo litoral parando em todos os bares que encontrassem pelo caminho - que quando um amigo sugeriu speed dating, ele pensou que fosse só mais uma das sugestões inviáveis e sem sentido. Mas seu amigo, Tiago, falava sério:

- Ué, sua desculpa não é que você não tem tempo pra sair? Speed dating é a solução perfeita. Encontros rápidos, onde você vê se alguém te interessa ou não.

Ao que Leonardo retrucou que ninguém mais o interessava. Só ela. E ele tinha estragado tudo. De novo.

Tiago suspeitava que nem mesmo o próprio Leonardo ia se agüentar por muito tempo se continuasse assim. Declarou então que como o amigo havia rejeitado todas as outras sugestões, ele iria inscrever os dois no próximo encontro de speed dating. E eles iriam, nem que tivesse de ir até a casa de Leonardo e arrastá-lo à força.

Leonardo resmungou uma resposta, que dessa vez Tiago escolheu interpretar como um "sim".

Chovia no dia em que os dois combinaram de juntar-se ao complicado mundo do speed dating. Chegaram juntos, de carro. Leonardo não tinha certeza se tinha entendido todas as regras, mas na verdade não se importava muito. Esperava que seus amigos o deixassem em paz por um tempo depois disso. Afinal, ele estava ali, não estava? Estava tentando, não estava?

Arrependeu-se no minuto em que entrou pela porta e viu uma mulher, de costas, indo para o banheiro, muito parecida com a sua ex-namorada.

- Essa vai ser uma longa noite - disse com um suspiro resignado.

O primeiro encontro de Leonardo foi um desastre. Não falou nada por conta própria, manteve uma cara de cachorrinho sem dono e respondeu todas as perguntas de sua acompanhante com monossílabos tristes e desinteressados. E ficou irritado quando o encontro acabou, porque era ele quem tinha que levantar e trocar de mesa.

Os encontros seguintes não foram muito melhores. Ele estava disposto a não sair do seu estado de depressão pós-relacionamento e acabou sendo o mais inconveniente possível. Se uma mulher dizia que sua viagem dos sonhos era para a praia, ele respondia que a dele era para as montanhas. Se a moça respondesse que na verdade também adorava ir para as montanhas, ele dizia que, no fundo, odiava viajar.

E continuou assim, encontro após encontro, ignorando totalmente o olhar de reprovação de Tiago. Ignorando tudo e todos, na verdade. Cachorros? Não, preferia gatos. Filhos? Não levava o menor jeito com crianças. Comida mexicana? Não gostava. Ah, espera, ela também não gostava? Na verdade ele se confundiu, adorava comida mexicana, era só o que comia.

Depois de um encontro rápido que ele achou particularmente tedioso, Leonardo se levantou e dirigiu-se para a próxima mesa. E viu que a mulher era ela. A mulher que ele amava, e cuja ausência o deixava nesse estado de amargura. Ela não o viu, pois estava conversando com a amiga da mesa ao lado.

Pensou em ir embora de fininho, mas em vez disso, sentou-se na frente dela, sentindo um novo estado de excitação. Não sabia se aquela era a melhor idéia - a coisa mais prudente - mas iria se arrepender se não o fizesse.

Surpreendeu-se quando ela, sem nem mesmo olhar para ele, disse automaticamente a maior mentira que ele já ouvira:

- Oi, sou Sofia, sou astrônoma e tenho quatro filhos.

A surpresa transformou-se em divertimento, pois ele sabia que nenhuma das coisas que ela acabara de dizer era verdade.

- Sério? - respondeu ele com um grande sorriso e uma sobrancelha erguida - Você não me falou nada disso quando a gente saía. Vai ver foi por isso que não deu certo.

Ela olhou para ele em choque. Que não durou mais do que um instante, pois ela recuperou a compostura bem rápido. Logo disse:

- Ah, foi isso que aconteceu com você depois que a gente terminou? Teve que se rebaixar a speed datings?

Ele riu. Nossa, como sentia falta dela.

- Bom, sinto muito tirar você do seu mundinho, mas caso você não tenha reparado, nós dois estamos aqui.

Ela não respondeu, só o encarou, desafiadoramente.

Ele a encarou de volta, por alguns segundos, e disse:

- É isso que você quer? Ficar quatro minutos em silêncio?

- O que eu tenho pra falar para você vai demorar muito mais do que quatro minutos.

Então eles se levantaram, em um silêncio consensual, e Leonardo não poderia estar mais feliz. Tudo foi quase como se fosse coreografado. E foram em direção à porta do bar, em direção à noite chuvosa lá fora. Porque quase todas as grandes histórias de amor acontecem na chuva. E porque, afinal, um encontro com a pessoa certa, nunca será apenas um encontro rápido.


4 comentários:

  1. Nossa, que lindo! Fiquei até arrepiada...
    Adorei. =)

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  2. Uau, obrigada! Eu me sinto lisonjeada! :D

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